
Com a lista de Ancelotti prevista para 18 de maio, o debate sobre Neymar divide o país. O camisa 10 é imprescindível ou o Brasil já evoluiu para além dele?
Neymar Jr. não foi convocado por Carlo Ancelotti em nenhuma das listas da Seleção Brasileira desde que o técnico italiano assumiu o comando, em 2025. Mesmo assim — ou talvez por isso mesmo —, o nome do camisa 10 domina o debate esportivo do país à medida que a Copa do Mundo de 2026 se aproxima.
A convocação final está prevista para 18 de maio. Neymar tem pouco mais de um mês para mudar um cenário que, por ora, aponta para sua ausência no torneio mais importante do futebol mundial.
O principal argumento contra a convocação de Neymar é físico. Desde a grave lesão no joelho sofrida em outubro de 2023, durante jogo das Eliminatórias, o atacante busca consistência. Ele chegou a ser convocado em 2025, mas foi cortado antes de entrar em campo. Desde então, tenta retomar ritmo atuando pelo Santos.
Ancelotti estabeleceu critérios claros para uma eventual volta: estar totalmente recuperado e apresentar regularidade em campo. Sem esses fatores, a tendência é manter o grupo que vem sendo testado ao longo do ciclo preparatório. A comissão técnica acompanha de perto a evolução do jogador — integrantes da Seleção estiveram presentes em jogos do Santos para avaliá-lo.
Há um dado histórico que pesa contra Neymar: desde 1998, o Brasil não leva à Copa um atleta que não tenha participado do ciclo de preparação. Naquele ano, o lateral Zé Carlos foi incluído de última hora por Zagallo — a única exceção recente. Para Neymar entrar na lista final sem ter sido convocado antes, seria necessário quebrar um tabu de 28 anos.
Isso não é impossível. Mas exige que Ancelotti tome uma decisão que vai contra toda a lógica de continuidade que tem pautado seu trabalho à frente da Seleção.
O argumento mais forte a favor de Neymar é inegável: ele é o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, com 79 gols em 128 jogos. Nenhum outro jogador do atual grupo se aproxima desse número. Vini Jr, Raphinha e Rodrygo — os titulares no ataque de Ancelotti — têm históricos expressivos, mas nenhum tem o impacto histórico do camisa 10.
Além dos números, há o fator psicológico. Neymar em campo muda o comportamento dos adversários. Sua presença cria espaços para Vini Jr e Raphinha que simplesmente não existem sem ele. Isso não é saudosismo — é análise tática.
O argumento contra Neymar não é que ele seja um jogador ruim. É que o Brasil de 2026, sob Ancelotti, tem construído uma identidade coletiva que funciona sem ele. A vitória sobre a Croácia no último amistoso, com destaque para jovens como Rayan e Endrick, mostrou que o time tem soluções ofensivas que não dependem do camisa 10.
Inserir Neymar agora, sem que ele tenha participado do ciclo, pode desequilibrar um grupo que levou meses para encontrar seu equilíbrio. O risco não é apenas tático — é também de vestiário.
A resposta honesta é que a Seleção Brasileira seria melhor com Neymar em plenas condições físicas do que sem ele. O problema é que esse Neymar — o de 2019, o da Copa América, o que dribla, finaliza e decide — ainda não voltou.
O que existe hoje é um Neymar em processo de recuperação, tentando encontrar consistência pelo Santos, sem ter disputado uma competição de alto nível por quase três anos. Levá-lo à Copa do Mundo nessas condições seria apostar numa incerteza enorme num momento em que o Brasil precisa de certezas.
Ancelotti tem até 18 de maio para decidir. E o Brasil inteiro vai assistir.
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